Há três peixinhos lá no sertãoConvulsando forte no chãoSem dor e sangue que não produz leucócitosAh, peixinhos esfomeadosEnrugados de seca vãoEstabanar a seca que protege o eutróficoAgoniza a própria morteBatendo as nadadeiras falsa forteMortificados na temperaturaDura vontade de poder nadarAdentrando pelo rachoRespirando o ar que vem da rachaduraRacha-pele toda a sua envergaduraà pela fome de poder nadarHá um varão e dois resignadosCarregando aquele pesarAprender a forma de viver entre os trópicosAh, só mais dois – um não mais é peixeDesencarna e já pode andarVive em outra dimensão nos paÃses nórdicosVerbaliza a própria vidaVantajando o mar que vem de sua históriaNão há mar no mundo que lhe vangloriaAlém da poça sertanejantistaEscarnece toda a vilaQue de contos faz o seu pestanejarHá peixes no mundo que não vivem em ilhasHá peixes que não conseguem mais nadarRedes e canoas não podem mais lhe raptarHá uma liberdade boa pra quem tem morada no marLiberdade de escolher um cantinho pra se esconderSem pensar que chamarizes podem amadurecer