Arrastando Espora – Éder Goulart – letras

Torci um sovéu, costurei a sobre-cincha,Três dias de chuva me enfurnaram no galpão,Desquinei tentos, látego novo “prá” cincha,Vendo a fumaça dançando sobre um tição.Faxinei tudo e passei sebo nos laços,Trato e escova na bragada do patrão,Mas que saudade dos abraços da morena,É de dar pena tanta soga e solidão.Se não estiar “vô puxá” o poncho nas costas,Ensebar as botas e sair que é um coronel,Molhado com ela é melhor que enxuto e só,Nas noites não vejo lua quem dirá então o mel.Depois do passo que hoje só passo a nado,Cruzo no Florisnaldo se não desabar o céu,Sigo altaneiro que é só paixão na imagem,E co’a coragem embaixo da aba do chapéu.Chegando lá não tenho tempo “prá” floreio,Atoro ao meio minha china co’a direita,A canhota trago bem junto do rosto,E até dá gosto agora “vê enche” as “valeta”.A oito-baixos corcoveou na minha chegada,E o João Canário se arreganhou nesta hora,Eu gritei alto: – que se encharque o mundo velho!Gaita Canário! Que hoje eu danço de espora!

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