Boiadeiro de palavraQue nasceu lá no sertãoNão pensava em casamentoPor gostar da profissãoMas ele caiu no laçoDe uma rosa em botãoMorena cor de canelaCabelos cor de carvãoDesses cabelos compridosQuase esbarrava no chãoE para encurtar a históriaEra filha do patrãoBoiadeiro deu um puloDe pobre foi a nobrezaAlém da moça ser ricaDona de grande belezaEle disse assim pra elaCom classe e delicadezaEsses cabelos compridosà minha maior riquezaSe um dia você cortarNós separa na certezaAlém de eu te abandonarVai haver muita surpresaUm mês depois de casadoO cabelo ela cortouBoiadeiro de palavraNesta hora confirmouNo salão que a esposa foiCom ela ele voltouMandou sentar na cadeiraE desse jeito falouPasse a navalha no restoDo cabelo que sobrouO barbeiro não queriaA lei do trinta mandouCom o dedo no gatilhoPronto pra fazer fumaçaEle virou um leãoQuerendo pular na caçaQuem mexeu nesse cabeloVai cortar o resto de graçaA navalha fez limpezaNa cabeça da ricaçaBoiadeiro caprichosoCaprichou mais na pirraçaFez a morena carecaDar uma volta na praçaE lá na casa do sogroEle falou sem receioVim devolver sua filhaPois não achei outro meioA minha maior riquezaEu olho e vejo no espelhoà um rosto com vergonhaQue à toa fica vermelhoSou igual um puro sangueQue não deita com arreioPrefiro morrer de péDo que viver de joelho