Desde muito pequenina,Sentia um aperto no peito,Pois não me sentia à vontadeDiante de qualquer preconceito.Ninguém conseguia entender,Sendo eu uma branca azeda,Porque só me identificava com oGingado da dança negra.O batuque de terreiro,Atiçando minhas entranhas,Mexia o meu corpo inteiro,Não me sentia estranha.Meu coração era um surdo,Meu sangue pulsava maneiro.O samba eu dizia no pé,Com as mãos eu tocava pandeiro.Criloura, crilouraNo meu desenvolvimento,Fui entendendo a questão,No samba não havia tormento,Abria o meu coração.Diziam que eu era louca,Que vivia em fantasia,Uma loura mesclada de negra,Precisava de terapia.Quem tem Chico,Caetano e Djavan,Precisa de Freud, Jung ou Lacan?Assumi minha identidade,Sem muita psicologia,Apresento-me como criloura (minha),Minha maior alegria! Criloura,criloura…