CaiCai noite sem fim, alucinaTodo sangue em mim ferve e vira e caiCai noite sem fimAlucina, todo sangue em mimFerve e vira e caiA janela sopra ar e ardeDormir é desistir – tão cedo e tarde demaisDesmaiei num sono tão sóMeu sono corre em contramãoSonhador solta o ar e pesaAbraça essa pedra, afundaO ar quer levarEu não quero, eu não queroMeus pais, meu lugarEu não quero, eu não queroEnvelhecerEu não quero, eu não queroO sol vai crescerEu não quero, eu não queroO mar vai secarEu não quero, eu não queroO sol, engolirEu não quero, eu não queroVi na tvEu não quero, eu não queroDesaba em mimO que eu quero, o que eu queroVento na mãoO que eu quero, o que eu queroSonho infantilO que eu quero, o que eu queroO céu do cerradoO que eu quero, o que eu queroNão quero esquecerEu não quero, eu não queroCai, cai noite sem fimTodo sangue em mim vaiVai, me traz lá do fundoQueima todos os relógios do mundoQuando o despertador gritarCoragem: tanta vida e resta, a mim, deixarDeixar morrerSolidão, mãe de todo mundo aqui, dê à luzDiz sim