Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormirA certidão pra nascer, e a concessão pra sorrirPor me deixar respirar, por me deixar existirPelo prazer de chorar e pelo « estamos aà »Pela piada no bar e o futebol pra aplaudirUm crime pra comentar e um samba pra distrairDeus lhe paguePor essa praia, essa saia, pelas mulheres daquiO amor malfeito depressa, fazer a barba e partirPelo domingo que é lindo, novela, missa e gibiDeus lhe paguePela cachaça de graça que a gente tem que engolirPela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossirPelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cairDeus lhe paguePor mais um dia, agonia, pra suportar e assistirPelo rangido dos dentes, pela cidade a zunirE pelo grito demente que nos ajuda a fugirDeus lhe paguePela mulher carpideira pra nos louvar e cuspirE pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrirE pela paz derradeira que enfim vai nos redimirDeus lhe pague