Relampeou, fez vento forte a noite inteiraA chuva fina tá caindo no quintalSe a água molha os pés descalços da mangueiraà quase certo que lá vem um temporalBico calado tá chegando um temporalLua quebrada hoje não pisa no céuNem tem brancas borboletas com asas de papelLua quebrada hoje não clareia o chãoNem tem sol que seque e mate a raiz da plantaçãoE o vento forte fustigou a passaradaE os galhos secos num balé de vai-e-vêmFoi tão grande a chuvarada que o caboclo decidiuDar duas lágrimas tambémE a criançada da janela de mariaViu a noite virar dia numa forma de oraçãoChuva pesada que por sua conta e riscoImplorou pra são francisco mandar água pro sertãoPito de palha, fogão de lenhaCarro de boi levando o leite da ordenhaChuva de vento, com tempestadeMolhando a terra e a poeira da saudadeCafé bem forte, pão sobre a mesaMoça bonita com jeitinho de princesaVenha comigo, bem do meu ladoAbraça e beija seu caboclo apaixonado