Medo do Medo – Capicua – letras

Ouve o que eu te digoVou-te contar um segredoÉ muito lucrativoQue o mundo tenha medoMedo da gripeSão mais uns medicamentosVem outra estirpeReforçar os dividendosMedo da crise e do crimeComo já vimos no filmeMedo de ti e de mimMedo dos temposMedo que seja tardeMedo que seja cedoE medo de assustar-meSe me apontares o dedoMedo de cães e de insetosMedo da multidãoMedo do chão e do tetoMedo da solidãoMedo de andar de carroMedo do aviãoMedo de ficar gordo, velhoE sem um tostãoMedo do olho da rua’Do olhar do patrãoE medo de morrer mais cedoDo que a prestaçãoMedo de não ser homemMedo de não ser jovemMedo dos que morremE medo do nãoMedo de DeusE medo da políciaMedo de não ir para o céuE medo da justiçaMedo do escuro, do novoE do desconhecidoMedo do caos e do povoE de ficar perdidoSozinho, sem guitoE bem longe do ninhoMedo do vinho e do gritoE medo vizinhoMedo do fumo, do fogoDa água do marMedo do fundo do poçoDo louco e do arMedo do medoMedo do medicamentoMedo do raio, do trovãoE do tormentoMedo pelos meusE medo de acidentesMedo de judeus, negrosÁrabes, chinesesMedo do « eu bem te disse »Medo de disser toliceMedo da verdade, da cidadeE do apocalipseO medo da banca rotaE o medo do abismoO medo de abrir a bocaE do terrorismoMedo da doençaDas agulhas e dos hospitaisMedo de abusar, de ser chatoE de pedir demaisDe não sermos normaisDe sermos poucosMedo dos roubos, dos outrosE de sermos loucosMedo da rotinaE da responsabilidadeMedo de ficar para a tiaE medo da idadeCom isto compro mais cremesE ponho um alarmeCom isto passo mais chequesE adormeço tardeSe não tomar a pastilhaSe não ligar à famíliaSe não tiver um gorilaÀ porta de vigíliaCompro uma armaAgarro a mala, fecho o condomínioOlho por cima do ombroDefendo o meu domínioProtejo a propriedadeQue é privada e invadeUma vontade de por gradeÀ volta da realidadeDo país e da cidadeDo meu corpo e identidadeDa casa e sociedadeFamília e cara metadeEu tenho tanto medoNós temos tanto medoEu tenho tanto medoO medo paga à farmáciaAceita a vigilânciaO medo paga à máfiaPela segurançaO medo teme de tudoPor isso paga o seguroPor isso constrói um muroE mantém a distânciaO medo paga à farmáciaAceita a vigilânciaO medo paga à máfiaPela segurançaO medo teme de tudoPor isso paga o seguroPor isso constrói um muroE mantém a distânciaO medo paga à farmáciaAceita a vigilânciaO medo paga à máfiaPela segurançaO medo teme de tudoPor isso paga o seguroPor isso constrói um muroE mantém a distânciaO medo paga à farmáciaAceita a vigilânciaO medo paga à máfiaPela segurançaO medo teme de tudoPor isso paga o seguroPor isso constrói um muroE mantém a distânciaEles têm medo de que não tenhamos medo

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