Estava deitado na camaConversando com a minha mulherE com a TV ligadaNum desses jornais qualquerMeia hora de chuvaE esta cidade já tá toda alagadaTreze corpos achadosNa favela que foi soterradaAqui ninguém vai morrer no VietnãAqui ninguém vai Rá-Tá-Tá-Tá no VietcongOs garotos daqui não vão amar ninguémAqui se morre de fome, antes de ser alguémSo letâs go babySenão a gente vai perder o tremSenão a gente vai perder o tremE é tanto canal que eu já nem sei onde é que eu botoCom uma mão na sua coxa e a outra no controle remotoSe a malária é amarela e a cólera verde bandeiraNós somos o quarto imundo, colorido pra encobrir a sujeiraAqui ninguém vai morrer no VietnãAqui ninguém vai Rá-Tá-Tá-Tá no VietcongOs garotos daqui não vão amar ninguémAqui se morre de fome, antes de ser alguémSo letâs go babySenão a gente vai perder o tremSenão a gente vai perder o tremEu desci cá pra selva, toda plantada de asfalto e néonOnde fica esquisito o que na tela já não era tão bomuma mulher da rua me conta sonhos de alegria e farturaSeus olhos como estrelas nesta noite cada vez mais escuraE lá no bar da esquina mais um profeta cospe fogo no arFogo que nem esta chuva vai conseguir apagarUma criança sem braço, deitada no banco de jardimSeu choro é alto e demente, agora ela olha pra mim