Uma lata, uma vela e um tragoà assim que se bebe um defuntoUma vida que finda o contratoE assim se encerra outro assuntoUm defeito, eu não nego esse fatoSer perfeito não é pra esse mundoTer conceito é ter fino tratoPoesia marginal submundo!Mas sobre isso não, não há nada de novo não!Me disseram pra ser uma damaNão me deram valor, mas um preçoE o que eu faço com essa ciganaQue não sabe encontrar o endereço?Adereços tão caros pra famaCuido d’alma enquanto apodreçoà preciso ter fé e ter ganaPra aprender a vencer o preconceito!Mas sobre isso também não, não há nada de novo não!Pecados tão ancestraisPegadas deixadas na lamaNunca foram tão originaisNesse embalo de onÃrico drama!A beleza fugas que enganaButterfly vive uma semanaQuem busca verdade encontra mentiraQue luta por paz não foge da guerrilha!Mas sobre isso também não, não há nada de novo não!Cada flor que sangrou no asfaltoOu no campo perdeu sua corCada sonho tomado de assaltoLhes negando opção de amorUm suspiro que dá no pré saltoNo presságio iminente da dorPelas pernas da terra a navalhaQue a calada da noite estuprou!Mas sobre isso também não, não há nada de novo não!Não há nada de novo, não há nada! Não há nada!Não há nada de novo, não há nada de novoNão há nada de novo não!Amanheço a cada recomeço desde o começo no berço maternoAnoiteço e nem reconheço me esqueço num terço do ciclo eternoFaz parte da minha arte, por toda parte, viver por excessosMas estamos tão robotizadosQue a cada ato é um retrocesso!Regresso!Não chegamos, paramos, estamos andando em cÃrculosRoda gigante, nós somos hamsters presos em cubÃculosRodando, girando em bandos, primatas dançando sempre o mesmo ritmo!Presos no mesmo sistema, nesse ecossistema sem brilho legÃtimo!Inimigos Ãntimos num curto tempo distanteDedicando a vida aos finais se esquecendo do que houve antesPensando num plano póstumo, impostos a postos pro óbitoEm débito, sem crédito, não percebem o óbvioNão há nada que novoE a história sempre se repeteA morte faz seu itinerário a qualquer horário e ninguém se intromete!à que se compete antes do final da corridaE depois que os olhos fecham que se entende o sentido da vidaMas sobre isso não também, não há nada de novoNão há nada de novo!Não há nada de novo!