No alto daquela montanha existeUma tapera muito tristeEu bem sei de quem ela éà uma casa abandonadaQue era do Zé da EstradaCaboclo de boa féE numa noite escura e friaUma pousada ali pediaUma cabocla já mulherE ele que era um homem sozinhoFicou sendo dois num ninhoNo seu rancho de sapéE desde então o rancho mudavaE ali não habitavaA tristeza e a solidãoZé da Estrada já cantavaNa viola soluçavaAs cordas do coraçãoMas o coitado não sabiaQue o diabo ali viviaEm figura de mulherE sem dar pela ameaçaSemeava a desgraçaNo seu rancho de sapéEis que passado poucos diasAli chegou na freguesiaUm parque de diversõesTinha um almofadinhaQue namorava as caboclinhasPra deixar sem compaixãoE a mulher do Zé da EstradaCaboclinha assanhadaNo parque foi passearVestida no seu vestido de chitaFoi pra lá fazendo fitaE o rapaz foi namorarSe Zé da Estrada não estavaA cabocla provocavaO rapaz namoradorZé da Estrada não sabiaO que a mulher faziaMas depois desconfiouFoi pra casa e viu tudoCabisbaixo, triste e mudoSó dois tiros disparouE sem medo e sem receioArrumou seus cacos velhosFoi embora e não voltou(Pedro Paulo Mariano – Santa Maria da Serra-SP)